
O senador José Agripino, apresentou, nesta segunda-feira (30), na sede do partido dos Democratas em Natal, cópia do recibo da doação da Camargo Correia, no valor de 300 mil reais, para as eleições municipais do ano passado.
“Doação para Agripino? Nada disso, doação para o partido Democratas”.
O senador se diz alvo do governo por ser líder de oposição, mas destaca que as tentativas de calar a oposição não vão ganhar força se depender da sua atuação.
“Eu faço uma oposição responsável e atuo dentro da legalidade por acreditar na democracia brasileira. Tanto, que nas escutas telefônicas dizem: – a doação vai ser do jeito que Agripino quer. Ou seja, com depósito bancário na conta do partido e tudo declarado a justiça eleitoral. Porque é assim que eu quero, dentro da lei.” declarou.
O líder dos Democratas disse não ter ficado constrangido com a inclusão do seu nome na operação Castelo de Areia da PF porque tem documentos que comprovam a legalidade da doação, mas ressaltou que não é uma situação agradável, ter que se defender de algo feito legalmente.
“Não me sinto constrangido porque tenho documentos que comprovam que a doação foi feita dentro do que rege a legislação eleitoral, mas é uma situação muito desagradável. Afinal de contas se formos nos envergonhar do que é legal esse país acabou”, disse Agripino.
Durante a coletiva, o senador considerou evidente a existência de um “viés político” na primeira divulgação da operação da Polícia Federal, argumentando que entre os todos os partidos, o PT foi o que mais recebeu doações da construtora. Foram R$ 830 mil a nove candidatos da legenda, seguida do Partido da República (PR), com R$ 372 mil, e, então, o PSDB, com R$ 358 mil.
“A maior doação da Camargo Corrêa nas eleições do ano passado, foi feita para a campanha à prefeitura de Curitiba de Gleisi Hoffmann (PT), esposa do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Foram 500 mil reais. Por que será que essa informação não foi divulgada? Por que fazer aparecer apenas o nome de dois senadores da oposição? Não vem que não tem, quem não deve não teme”, ressaltou.
De acordo com o parlamentar potiguar, é importante analisar a afirmativa da desembargadora Cecilia Mello, do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, de que a investigação deveria ter analisado a documentação dos tribunais eleitorais: “(…) evitando-se, com essa simples, natural e lógica sequência investigatória, a criação de situações desnecessariamente constrangedoras para ambos os pólos envolvidos, doares e receptores”.
O presidente regional dos Democratas aproveitou para alardear o fato de que há, claramente, o desvio de foco na divulgação da operação.
“O que realmente deve ser investigado é a denuncia de superfaturamento na refinaria de Pernambuco porque isso é fato declarado pelo Tribunal de Contas da União. A Camargo Correa não tem nenhuma obra no Rio Grande do Norte. Não podemos desviar o foco das investigações”, concluiu.
Agripino viaja, ainda hoje, para Recife, onde participa da solenidade de posse do presidente e vice do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, os desembargadores federais potiguares Luiz Alberto Gurgel de Faria, que assumirá a presidência, e Marcelo Navarro Ribeiro Dantas, a vice.