Quem não procura uma ocupação não conta como desempregado. Concorrência maior e desânimo com a falta de vagas explica desistência.
Mayara Martins, de 30 anos, está desempregada há 1 ano e 7 meses e desistiu de procurar emprego. A última entrevista que ela fez foi há pouco mais de 6 meses. “Está cada vez mais difícil. Na área em que tenho experiência a cada dia que passa vejo mais pessoas desempregadas”, lamenta.
Mayara era recepcionista em um laboratório de análises clínicas. Mas procurou vagas para várias funções, desde atendente de telemarketing até monitora de parque. “A última entrevista que fiz fiquei das 11h até as 17h esperando para ser atendida. Depois disso desencanei completamente de tudo”, conta.
Mayara mora com os pais e conta com a ajuda deles para sobreviver. Como está sem trabalhar, não conseguiu pagar o último semestre da faculdade de gestão ambiental. Agora ela prevê que só irá pegar o diploma no segundo semestre do ano que vem. Ela pretende tentar vaga na área que escolheu estudar depois de se formar. “O futuro pode parecer um pouco tenebroso, mas ainda tenho esperanças de voltar a trabalhar”, diz.
Desemprego ‘mascarado’
Mayara é uma de 6,2 milhões de pessoas que estão desocupadas no Brasil, mas que não estão procurando emprego. Ou seja, ela tem potencial para trabalhar, mas não trabalha, não estuda e não procurou emprego nos últimos 30 dias. Esse grupo é classificado pelo IBGE como “desalentado” e não é contabilizado na estatísticas do desempregados. O IBGE divulgou nesta quinta-feira (13) pela primeira vez dados da população fora da força de trabalho.
De acordo com o IBGE, aumentou o contingente de brasileiros que não trabalham nem procuram ocupação e, portanto, não entram nas estatísticas oficiais do desemprego. Isso contribuiu para uma queda na população economicamente ativa de 2,2% no trimestre encerrado em agosto, na comparação com o mesmo período de 2015.
Se essas pessoas não tivessem desistido de procurar emprego, a taxa de desemprego, atualmente em 11,8%, poderia ser ainda maior, avaliam economistas.
Segundo Rafael Bacciotti, consultor de macroeconomia e política da Tendências, o movimento de pessoas que desistiram de procurar emprego limita de fato a expansão da taxa de desemprego. Ele explica que, pela metodologia da PNAD Contínua do IBGE, que mostra a evolução do desemprego trimestralmente no país, a pessoa deixa de compor a força de trabalho quando não é absorvida depois de 30 dias procurando emprego. “A busca efetiva por até 30 dias faz com que a pessoa faça parte da força de trabalho como desocupado”, explica.
De acordo com Bruno Ottoni, pesquisador do Ibre/FGV, o aumento da população inativa pode resultar do desemprego prolongado. “Durante a atual crise, trabalhadores tentaram entrar no mercado, mas estão desistindo e voltando para a inatividade”, diz.
Fonte: Globo.com
