Ao concluir pelo indiciamento de oito investigados em uma das frentes da Operação Acrônimo, a Polícia Federal (PF) aponta que o círculo mais próximo do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), incluindo sua mulher, Carolina de Oliveira, atuou para obter vantagens indevidas ao petista e doações para sua campanha eleitoral em 2014 fora da contabilidade oficial. Ao todo, as práticas criminosas do grupo, descritas no novo relatório da PF, concluído em 21 de setembro, resultaram em repasses de mais de R$ 6 milhões — R$ 3,2 milhões teriam sido direcionados a Pimentel por meio de empresas de fachada; outros R$ 2,8 milhões, pela consultoria da primeira-dama de Minas.
No documento da PF, revelado ontem pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim, a delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, responsável pela investigação, diz que Fernando Pimentel é o coordenador de uma organização criminosa. A delegada pediu a autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para indiciar Pimentel, já que o petista tem prerrogativa de foro. Caberá ao ministro Herman Benjamin, relator do caso, autorizar ou não o indiciamento. Para que os crimes investigados nesse inquérito resultem em um processo, é preciso que a Procuradoria-Geral da República dê prosseguimento às investigações e apresente denúncia.
As investigações da Operação Acrônimo, iniciadas em maio de 2015, já deram origem a três denúncias contra Pimentel. O governador é acusado de solicitar e receber propina para favorecer interesses de empresas no ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e no BNDES, subordinado à pasta. Pimentel foi ministro da pasta entre 2011 e 2014, no governo Dilma Rousseff. As três denúncias imputam a Pimentel crimes como corrupção, lavagem de dinheiro, falsidade de documento particular e tráfico de influência. Pimentel teria atuado em benefício da montadora de automóveis Caoa, das construtoras Odebrecht e JHSF.





